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sábado, 28 de abril de 2018
quarta-feira, 25 de abril de 2018
terça-feira, 24 de abril de 2018
Do blog do Miguel Martins
Amigos, á formosura...
Que nos cerca neste instante,
Erga-se a taça escumante
De purpurino licor.
Vivo enthusiasmo rebente
Agora de nossas almas,
Caiam palmas sobre palmas
Cada vez com mais ardor!
Aqui floresce na horta
A viçosa laranjeira,
Corre o Champanhe e o Madeira
Que offertara nivea mão,
Aqui não chegam as garras
De tanta velha leôa
Que esfaimada por Lisboa
Se atira a tanto leão.
Aqui livre em nosso peitos
Pula impaciente alegria,
Porque ao sol de um bello dia
Tudo vemos reflorir!
Que importa pois que os ministros
Resonem no parlamento,
E que os homens de São Bento
Nem sequer nos façam rir?
Para nós sorri-se o mundo,
Para nós a vida é esta,
Hoje festa, amanhã festa,
Gloria, encantos, illusões!
Junto a nós temos as bellas
Mais fragrantes do que as rosas,
Longe... o mundo das preciosas,
E o mundo dos papellões!
Eia pois! á formosura
Que me cerca neste instante
Erga-se a taça escumante
De purpurino licor.
Vivo enthusiasmo rebente
Agora de nossas almas,
Caiam palmas sobre palmas
Cada vez com mais ardor!
Bulhão Pato
Que nos cerca neste instante,
Erga-se a taça escumante
De purpurino licor.
Vivo enthusiasmo rebente
Agora de nossas almas,
Caiam palmas sobre palmas
Cada vez com mais ardor!
Aqui floresce na horta
A viçosa laranjeira,
Corre o Champanhe e o Madeira
Que offertara nivea mão,
Aqui não chegam as garras
De tanta velha leôa
Que esfaimada por Lisboa
Se atira a tanto leão.
Aqui livre em nosso peitos
Pula impaciente alegria,
Porque ao sol de um bello dia
Tudo vemos reflorir!
Que importa pois que os ministros
Resonem no parlamento,
E que os homens de São Bento
Nem sequer nos façam rir?
Para nós sorri-se o mundo,
Para nós a vida é esta,
Hoje festa, amanhã festa,
Gloria, encantos, illusões!
Junto a nós temos as bellas
Mais fragrantes do que as rosas,
Longe... o mundo das preciosas,
E o mundo dos papellões!
Eia pois! á formosura
Que me cerca neste instante
Erga-se a taça escumante
De purpurino licor.
Vivo enthusiasmo rebente
Agora de nossas almas,
Caiam palmas sobre palmas
Cada vez com mais ardor!
Bulhão Pato
sábado, 21 de abril de 2018
O POETA NUNCA DIZ QUE É POETA (com os melhores cumprimentos para o Senhor Ferlinghetti)
Num contexto fácil e descontraído, preocupa-se com factualidades terríveis, como a queda da aranha na maionese, que ostensivamente machucou o néon dos seios daquela musa, surpreendida pelo ondular achocolatado das pregas da sua dança.
Um lenço acena uma seda triste.
O poeta que nunca diz que é poeta, afoga com estima, molduras ressequidas, e num laço afectuoso, envolve as sombras da poesia. Depois, senta-se lavando lágrimas no alguidar dos poemas que ninguém leu. Amparado na bengala da solidão, acende candeeiros abandonados pelo céu das estrelas fraudulentas. Desobedece confortavelmente às intenções maliciosas do bem-estar oferecido. Conspurca sempre a higienização social, e asfixia no mictório da normalidade, a pronúncia dos patetas que dizem ser poetas. O poeta não perde tempo com zunidos, não gosta que lhe entupam os sonhos. Fala com os amigos que também não se dizem poetas, e desfiam artifícios como sobremesa.
Na conversa dos poetas, aqueles que dizem não serem poetas, gravam-se sorrisos num grafiti engraçado, para mais logo emprestar.
O poeta nunca acaba o poema. Tem na folha outra invenção. E cavalga a onda do seu consentimento, só para aparar limalhas que choram no seu peito. Sustenta a tristeza que corre nas veias, lambe as feridas, e diz o único adeus com sabor a despedida.
O poeta que nunca diz que é poeta, entorna o olhar na memória lenta dos poemas que o abandonam. E tatua cicatrizes na marcha da ignorância, só para lembrar, que como sempre, morrerá só.
Os que se acham poetas, não passam de alucinações doentias!
&, Como os poetas que dizem não serem poetas sabem, isso é uma estupidez sem cura possível.
2018Abr_aNTÓNIODEmIRANDA
Um lenço acena uma seda triste.
O poeta que nunca diz que é poeta, afoga com estima, molduras ressequidas, e num laço afectuoso, envolve as sombras da poesia. Depois, senta-se lavando lágrimas no alguidar dos poemas que ninguém leu. Amparado na bengala da solidão, acende candeeiros abandonados pelo céu das estrelas fraudulentas. Desobedece confortavelmente às intenções maliciosas do bem-estar oferecido. Conspurca sempre a higienização social, e asfixia no mictório da normalidade, a pronúncia dos patetas que dizem ser poetas. O poeta não perde tempo com zunidos, não gosta que lhe entupam os sonhos. Fala com os amigos que também não se dizem poetas, e desfiam artifícios como sobremesa.
Na conversa dos poetas, aqueles que dizem não serem poetas, gravam-se sorrisos num grafiti engraçado, para mais logo emprestar.
O poeta nunca acaba o poema. Tem na folha outra invenção. E cavalga a onda do seu consentimento, só para aparar limalhas que choram no seu peito. Sustenta a tristeza que corre nas veias, lambe as feridas, e diz o único adeus com sabor a despedida.
O poeta que nunca diz que é poeta, entorna o olhar na memória lenta dos poemas que o abandonam. E tatua cicatrizes na marcha da ignorância, só para lembrar, que como sempre, morrerá só.
Os que se acham poetas, não passam de alucinações doentias!
&, Como os poetas que dizem não serem poetas sabem, isso é uma estupidez sem cura possível.
2018Abr_aNTÓNIODEmIRANDA
CAUTELA NÃO PREMIADA
Penhorou o amor no cabide das novas oportunidades. Os requisitos funcionais não apareceram, e o diploma que lhe entregaram, funcionava ao contrário. Dirigiu-se ao guichet do esclarecimento inútil, mas a anomalia continuava avariada. Mesmo assim, recebeu os costumeiros parabéns daqueles que sempre o invejaram. Fugiu para a cama mais próxima, e ignorou a almofada, que afiançavam, era boa conselheira. Pensou no futuro que cada vez mais lhe fugia, retocou o sono, amaciou a vontade, mas o negro continuava a escrever o seu destino.
A vida com dias assim, brevemente irá acabar.
Vestiu o caixão com o pijama dos sonhos mais lindos, e esperou o entontecer do dia da última possibilidade.
Uma cautela não premiada, continuou a adiar a sua partida.
2018Abr_aNTÓNIODEmIRANDA
A vida com dias assim, brevemente irá acabar.
Vestiu o caixão com o pijama dos sonhos mais lindos, e esperou o entontecer do dia da última possibilidade.
Uma cautela não premiada, continuou a adiar a sua partida.
2018Abr_aNTÓNIODEmIRANDA
DEIXEI-ME DE CERTAS MENTIRAS
Não tenho que me justificar.
Deixei-me
de certas mentiras.
2018Abr_aNTÓNIODEmIRANDA
Deixei-me
de certas mentiras.
2018Abr_aNTÓNIODEmIRANDA
CLOSE UP ( um tal crucificado)
Falhaste todos os encontros, pá!
& há gajos que teimosamente continuam à espera, e, para saldar essa angústia, colaram no vazio das suas almas, posters da tua promessa, com tons de artista de cinema.
Não fiques preocupado!
Não estou vocacionado para pintar o teu lugar.
Tanta festa em tua memória, tantas chagas para celebrar o teu sofrimento, tantos cânticos para encher o teu sepulcro, e demasiado sangue sempre em nome da tua inocência.
Por vezes, vejo-te em filmes, mas, esta é uma ficção sem diálogo possível.
Estamos em prateleiras diferentes.
De qualquer forma,
agradeço-te o menosprezo com que sou reconhecido.
& há gajos que teimosamente continuam à espera, e, para saldar essa angústia, colaram no vazio das suas almas, posters da tua promessa, com tons de artista de cinema.
Não fiques preocupado!
Não estou vocacionado para pintar o teu lugar.
Tanta festa em tua memória, tantas chagas para celebrar o teu sofrimento, tantos cânticos para encher o teu sepulcro, e demasiado sangue sempre em nome da tua inocência.
Por vezes, vejo-te em filmes, mas, esta é uma ficção sem diálogo possível.
Estamos em prateleiras diferentes.
De qualquer forma,
agradeço-te o menosprezo com que sou reconhecido.
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