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sábado, 31 de março de 2018

ORAI POR NÓS, MAS NÃO PERCAM MUITO TEMPO

Orai por nós:
Os desertores da infâmia.
Os que com sangue regam gota a gota
as rosas com espinhos arrependidos.
Os que estão sempre prontos para cair na tentação.
Os que só ajoelham para determinada posição.
Os pervertidos da glória.
Os travestidos da memória.
Os que continuam a sonhar com outra coisa.
Os que não fazem outra coisa senão sonhar.
Os que teimam em tapar o buraco
da camada do ozono com bolas de naftalina.
Os que só pensam em introduzir no buraco do Osório.
Os que se vendem mesmo por preço irrisório.
Os sérios, os graves, os desanimados.
Os ridículos, os burlescos, os grotescos, os cómicos.
Os bizarros, os pífios, os tolos, os engraçados.
Os gozados, os satíricos, os caricatos.
Os disformes, os velhacos.
ORAI POR NÓS, MAS NÃO PERCAM MUITO TEMPO.
Os preocupados sem futuro.
Os desocupados no futuro.
Os medíocres.
Os que escrevem arritmias nos murais
das redes sociais.
Os que injectam doses optimistas.
Os que mantêm teimosamente
ventríloquos tresloucados
E entopem artérias
com todos os sentidos proibidos.
Os que amam nos tempos difíceis.
Os que dormem na vertical.
Os que morrem à pressa.
Os que demoram a viver.
Os que nos aborrecem sordidamente.
Os que usam nós de gravata
completamente desafinados.
ORAI POR NÓS, MAS NÃO PERCAM MUITO TEMPO.
Os mal-educados.
Os analistas do fluído vaginal.
Os que pedem sempre desculpa numa frequência imoderada.
Os indiferentes.
Alguns indigentes.
Os menos inteligentes.
A carpideira.
A moçoila namoradeira.
O petiz aprendiz.
Os que não corroem a corrupção.
Os fatídicos.
Os distraídos.
Os mal dizentes.
Os mordedores de inveja.
Os sábios sem nexo.
Os que não têm de nós boas ideias.
Os que fugiram à boleia e voltaram de táxi.
O difícil sem fácil.
Os pensamentos mal frequentados.
Os esquisitos.
Os requentados.
Os esquentados.
Os bons e os malvados.
Os putativos.
Os inerentes.
A barata no topo do bolo.
O engraçado que só é tolo.
A dignificação.
A insubmissão.
A sublimação.
A efervescência.
O esturro do tacho.
Quem se deixa ser capacho.
ORAI POR NÓS, MAS NÃO PERCAM MUITO TEMPO.
A sílaba mal colocada.
O ponto sem nó. A exclamação desfocada.
Os desarrumados mentais.
E também os sentimentais.
Os que confundem bóbós com papos de anjo.
O padre que diz que perdoa.
O pecado que não magoa.
Os curandeiros mal tratados
Os políticos menstruados. O deputado marmanjo.
Os que tomam conta de nós.
Os que às vezes odeiam
e arrefecem na fogueira
sacrifícios a um deus desconhecido.
Os autoclismos desprezados.
Os desenganados do amor.
O amor não reconhecido.
Os epitáfios não lidos.
ORAI POR NÓS, MAS NÃO PERCAM MUITO TEMPO.
Os incautos. Os perdulários. Os inaptos.
Os inadaptados. Os adoptados.
Os arautos. Os anormais. Os colegiais.
Os coloquiais.
Os que gritam Toni faz-me um filho
mesmo sabendo que eu só me chamo António.
Os que me pedem a camisola,
não se importando com o frio que depois teria.
Os agradecimentos. Os sentimentos.
As mulheres mal-aventuradas
e também as desgraçadas.
As menos interessantes. As de ventre inchado.
As desconfiadas.
Os epicentros. Os retábulos. Os oráculos.
Os oratórios. Os sacrários. Os dromedários.
Os anjos sem cabecinha e com asas de cebolada.
Os conventos. As carmelitas.
As recolhidas. As não escolhidas.
As que f…. às escondidas.
As noviças. As nabiças.
As metediças. As mestiças.
As clandestinas e as dominicanas.
As virgens imaculadas . As louras. As oxigenadas.
As infectadas. As perfuradas.
Os eclesiásticos da parábola do falo.
Os faloqueiros e azeiteiros.
A serenidade embutida nas alas psiquiátricas.
Os obscenos. Os helénicos. Os frenéticos.
Os morenos. Os patéticos. Os angélicos.
ORAI POR NÓS, MAS NÃO PERCAM MUITO TEMPO.
A beleza da incerteza.
As musas mediáticas e as dores ciáticas.
A visita guiada. A colaboração.
A pena. A temperatura amena.
O turismo sexual.
O casamento conveniente.
A proposta indecente.
O anel de diamante.
As bodas de fígado. A foto à la minute.
O minete feito à pressa. O linguado desajeitado.
O orgasmo não adquirido.
Os onanismos coerentes.
As práticas indecentes
O resto que nunca interessa.
A faca na liga. A cintura descaída.
O peito flácido. A ária do Plácido.
O domingo soalheiro. O furo no mealheiro.
O jet leg. O jet set. O cinc à sec.
Os astronautas e argonautas.
Os anabolizantes e fertilizantes.
Os debutantes e os não principiantes.
A família que não escolhemos.
A paciência que não pudemos.
A fodação Internacional.
A importância do espanador.
Os suicídos que estão para vir.
Os que gastam a vida a carpir.

Orai agora por mim.
Aquele que nunca será o vosso salvador.

,2016,07aNTÓNIODEmIRANDA

sexta-feira, 30 de março de 2018

Allen Ginsberg, Howl and Other Poems

“Holy! Holy! Holy! Holy! Holy! Holy! Holy! Holy! Holy!
Holy! Holy! Holy! Holy! Holy! Holy!
The world is holy! The soul is holy! The skin is holy!
The nose is holy! The tongue and cock and hand
and asshole holy!...

Everything is holy! everybody's holy! everywhere is
holy! everyday is in eternity! Everyman's an
angel!
The bum's as holy as the seraphim! the madman is
holy as you my soul are holy!
The typewriter is holy the poem is holy the voice is
holy the hearers are holy the ecstasy is holy!
Holy Peter holy Allen holy Solomon holy Lucien holy
Kerouac holy Huncke holy Burroughs holy Cas-
sady holy the unknown buggered and suffering
beggars holy the hideous human angels!
Holy my mother in the insane asylum! Holy the cocks
of the grandfathers of Kansas!
Holy the groaning saxophone! Holy the bop
apocalypse! Holy the jazzbands marijuana
hipsters peace & junk & drums!
Holy the solitudes of skyscrapers and pavements! Holy
the cafeterias filled with the millions! Holy the
mysterious rivers of tears under the streets!
Holy the lone juggernaut! Holy the vast lamb of the
middle class! Holy the crazy shepherds of rebell-
ion! Who digs Los Angeles IS Los Angeles!
Holy New York Holy San Francisco Holy Peoria &
Seattle Holy Paris Holy Tangiers Holy Moscow
Holy Istanbul!
Holy time in eternity holy eternity in time holy the
clocks in space holy the fourth dimension holy
the fifth International holy the Angel in Moloch!
Holy the sea holy the desert holy the railroad holy the
locomotive holy the visions holy the hallucina-
tions holy the miracles holy the eyeball holy the
abyss!
Holy forgiveness! mercy! charity! faith! Holy! Ours!
bodies! suffering! magnanimity!
Holy the supernatural extra brilliant intelligent
kindness of the soul!”

«Poesia à Deriva» / 27Março2018 / "Elementar"_Algés

«Poesia à Deriva» regressa ao Elementar para mais uma noite de palavras a puxar palavras. Nesta sessão contaremos com a presença e a poesia do poeta António de Miranda e os SEC`ADEGAS.

aNTÓNIODEmIRANDA
Nasci em Março de 1955, em Barcelos.
(poucas pessoas deram por isso).
Alguns dos meus poemas foram esporadicamente publicados em diversas revistas e jornais ( Républica, onde tive o prazer de conhecer Raúl Rego e Álvaro Guerra).
Recentemente foram publicados os seguintes livros :
GERÓNIMO`S BLUES – Edições O HOMEM DO SACO – 2014 – Junho
PRONTO PAGAMENTO – Editora Tea For One – 2014 – Junho
LIVRARIA BUENOS AIRES – Editora Tea For One – 2015 – Março
QUIÇE MI LÁ BUCHE – Editora Tea For One – 2015 - Dezembro
Adoro...
poesia, e o facto do meu pai ter tido uma livraria (Livraria Buenos Aires, Lisboa), possibilitou-me a hipótese de ter à mão os livros que gostaria de ler.
Embora trabalhando desde muito jovem, comecei aos 14 anos, tal facto não me impediu de realizar várias voltas à Europa ( Inter-Rail ), assim como percorrer Portugal de lés a lés. Fui um amante inveterado da “boleia”. Dei assim, asas à minha alma de beatnick. Foi aliás este movimento que naquela altura mais me influenciou.
Continuo a adorar poesia.
Ok! Tudo isto é muito bonito, mas nada se compara a:

SEC`ADEGAS
Velhos Conhecidos / Grandes Amigos
BLUES! JUST BLUES
Um amor antigo, uma paixão permanente!
Esta música, que eu com o meu irmão Tomás, e o nosso grande amigo, Tozé Salomão, ao longo de 46 anos, vamos bebendo.
Directamente de Las Vergas...Blues for you!
Nós somos os Sec`Adegas!
& temos o orgulho de confirmar:
O cachet
Dos SEC`ADEGAS
Só tem dado
Despesa.

Foi num encontro “FELIZ” no Atelier Aberto, que os SEC`ADEGAS tiveram o enorme prazer de conhecer as “VADIAS” (Madalena Ávila, Manuela Leitão e Paula Montez), numa sessão de “Poesia Vadia”. A partir daí de certeza absoluta que o mundo não ficou mais pobre! & afirmamos, com a convicção possível, que outras coisas irão acontecer. Somos assim! Não há nada a fazer…
 
 
TOMÁS MIRANDA / TOZÉ SALOMÃO
 
MADALENA ÁVILA
MANUELA LEITÃO
PAULA MONTEZ





INÊS MATOS

INÊS MATOS

INÊS MATOS

HENRIQUE


ANA GOMES DA COSTA / DULCE
ANA GOMES DA COSTA / DULCE

EDMILSON







PAULA BARATA


SARA PESTANA