Alguma ajuda por favor!
Estava escrito na ausência da condição,
num quadrado de papelão
desenhado com as letras
mais chicoteadas do mundo.
Olhei com um pretenso fingimento
este cartão de visita.
E é isto que não disfarça a minha culpa.
Tenho cântaros com mágoas a transbordar.
E
declaro esta oferta
permanentemente disponível.
2016,11aNTÓNIODEmIRANDA
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segunda-feira, 7 de novembro de 2016
A VIDA É COMO A TORRE DE PISA
O mundo já não é o que era.
Teima em envelhecer-me
cravando-me nas costas ponteiros
que não sei acertar.
Há que respeitar a minha ausência
nos amanheceres em que não me apetece
discutir o preço.
Nada sei deste mistério
ou mesmo se é caso sério,
mas talvez alguma ostra tardiamente aberta
me diga qualquer coisa.
Talvez um risco de Magritte
me aconchegue este constante
tremendo mal estar.
A vida é como a torre de Pisa :
quando começa a ficar torta,
poucas vezes se endireita.
2016,11aNTÓNIODEmIRANDA
Teima em envelhecer-me
cravando-me nas costas ponteiros
que não sei acertar.
Há que respeitar a minha ausência
nos amanheceres em que não me apetece
discutir o preço.
Nada sei deste mistério
ou mesmo se é caso sério,
mas talvez alguma ostra tardiamente aberta
me diga qualquer coisa.
Talvez um risco de Magritte
me aconchegue este constante
tremendo mal estar.
A vida é como a torre de Pisa :
quando começa a ficar torta,
poucas vezes se endireita.
2016,11aNTÓNIODEmIRANDA
DEUS, OUVES ISTO?
Deus, ouves isto?
Aleppo está no teu dicionário?
Vou bombardear-te!
E com toda a química da minha raiva!
Já nada me diz a vossa pretensa boa vontade
gozada na asquerosa farsa das vossas desculpas.
Ouves isto?
Ou estás demasiado ocupado?
Ainda não se pode fugir para Marte
sem escala em Lampedusa, Lesbos ou Calais.
Estou farto dos sermões pacificadores financiados
com crimes que queremos apaziguar.
Não tenho tréguas para a tua imperfeição,
nem palmas para abater os teus discursos.
Ouves isto?
Como poderei eu invadir o teu tablet,
quando só penso em espoletar a tua mentira?
2016,11aNTÓNIODEmIRANDA
Aleppo está no teu dicionário?
Vou bombardear-te!
E com toda a química da minha raiva!
Já nada me diz a vossa pretensa boa vontade
gozada na asquerosa farsa das vossas desculpas.
Ouves isto?
Ou estás demasiado ocupado?
Ainda não se pode fugir para Marte
sem escala em Lampedusa, Lesbos ou Calais.
Estou farto dos sermões pacificadores financiados
com crimes que queremos apaziguar.
Não tenho tréguas para a tua imperfeição,
nem palmas para abater os teus discursos.
Ouves isto?
Como poderei eu invadir o teu tablet,
quando só penso em espoletar a tua mentira?
2016,11aNTÓNIODEmIRANDA
QUANDO A BELEZA BATE
Quando a beleza bate,
é justo falar de pétalas doridas,
dos despojos da falência total,
de todos os desvios sangrentos
e da denúncia amarrotada com efeitos aplicados.
Quando a beleza bate,
o nosso fabrico próprio não gera uma só qualidade
e tem o gosto da eficácia dos incapazes.
Nuances recheadas de presunções imbatíveis
enquanto cada minuto fere mais que o anterior.
Quando a beleza bate,
leva-nos à próxima paragem
onde apanhamos a ternura desnudada
para as horas arrendadas
que sofremos na escola preparatória dos desejos.
Quando a beleza bate,
faz de nós gente sem pés na alma
e oferece-nos a vitrificação das lágrimas
que agora se refugiam
na avenida da gentileza absurda.
2016,11aNTÓNIODEmIRANDA
é justo falar de pétalas doridas,
dos despojos da falência total,
de todos os desvios sangrentos
e da denúncia amarrotada com efeitos aplicados.
Quando a beleza bate,
o nosso fabrico próprio não gera uma só qualidade
e tem o gosto da eficácia dos incapazes.
Nuances recheadas de presunções imbatíveis
enquanto cada minuto fere mais que o anterior.
Quando a beleza bate,
leva-nos à próxima paragem
onde apanhamos a ternura desnudada
para as horas arrendadas
que sofremos na escola preparatória dos desejos.
Quando a beleza bate,
faz de nós gente sem pés na alma
e oferece-nos a vitrificação das lágrimas
que agora se refugiam
na avenida da gentileza absurda.
2016,11aNTÓNIODEmIRANDA
AQUILO QUE DE MIM SOBROU
Leva-me preso a corrente e eu sigo enleado
em gestos cansados que agora só me prendem a memória.
Não queria lamber recordações de abraços que nunca me adoçaram.
É longínquo o meu desejo no aperto deste beijo sempre com o sabor da partida.
E nas mãos desta temperança, escrita com suposições entediadas,
enredo laços de afecto como se a penumbra não fosse só pertença minha.
De cada vez que ponho os pés no chão,
sinto o hálito do alcatrão a entupir os poros da minha fachada.
E é custoso este caminho, mesmo quando minto outro modo de estar.
Tocam-me silêncios com a textura da ausência,
quinta-feira, 3 de novembro de 2016
Pai ! (Há 29 anos que não falamos) POEMA PARA ABÍLIO de MIRANDA (1927.12.04 – 1987.11.03)
Podemos começar ouvindo Charles Aznavour cantando “ La Bohème” ou para momentos mais sérios escutar a “ Avé Maria “ de Schubert. Passaram-se dias, muitos deles acompanhados daquelas cores feitas com lágrimas. Alguns ainda em que o sangue beijou o chão. Foi numa terça feira, ao cair da tarde ( sei agora que é o momento em que o sol vai dormir com a lua), que me disse as suas últimas pala...vras : às 7 vou deixar de ser anão . Levanta-me ! … E assim, partimos os dois, o senhor abraçando os meus braços. Ás vezes sinto-me como uma criança perdida, mirando uma qualquer estrela que passeia despreocupada lá naquele lugar com um nome tão estranho e tão longe. Ás vezes sinto-me cansado e durmo como se mil sonhos estivessem á espera de me acordar.
A verdade é que estou menos novo, e, a Mãe, o Jorge Faria, o tio António e a Guilhermina, já não podem ficar nas fotografias. A vida vai gastando o tempo e filtrando na sua imensa paciência, os verdadeiros amigos. Não me arrependo de lhe ter dito algumas verdades ( daquelas que doem a sério ), mesmo sabendo que estava pronto para a viagem. Recordo-me das nossas festas, das nossas canções, cantadas como só aqueles que se gostam podem fazer. Tenho na garganta o sabor daquele “americano”. Tenho na pele a promessa de tomar conta da Mãe.
Tenho no coração a mais linda declaração de amor ( falava você com a Mãe), que alguma vez ouvi.
Tenho a certeza que você era diferente dos outros !
Lembro-me perfeitamente quando com um sorriso cúmplice me dizia : tens lá em baixo livros “novos”. O que eu aprendi consigo !
Sentado neste banco de memórias, deixo-lhe a minha saudade.
A verdade é que estou menos novo, e, a Mãe, o Jorge Faria, o tio António e a Guilhermina, já não podem ficar nas fotografias. A vida vai gastando o tempo e filtrando na sua imensa paciência, os verdadeiros amigos. Não me arrependo de lhe ter dito algumas verdades ( daquelas que doem a sério ), mesmo sabendo que estava pronto para a viagem. Recordo-me das nossas festas, das nossas canções, cantadas como só aqueles que se gostam podem fazer. Tenho na garganta o sabor daquele “americano”. Tenho na pele a promessa de tomar conta da Mãe.
Tenho no coração a mais linda declaração de amor ( falava você com a Mãe), que alguma vez ouvi.
Tenho a certeza que você era diferente dos outros !
Lembro-me perfeitamente quando com um sorriso cúmplice me dizia : tens lá em baixo livros “novos”. O que eu aprendi consigo !
Sentado neste banco de memórias, deixo-lhe a minha saudade.
Não sei qual é a pressa de acelerar a minha corrida.
Afinal a vida continua a ser um lugar estranho para se morrer !
,aNTÓNIODEmIRANDA
Afinal a vida continua a ser um lugar estranho para se morrer !
,aNTÓNIODEmIRANDA
quarta-feira, 2 de novembro de 2016
O Único Verdadeiro Deus Vivo: OBRIGÁDÔDevo agradecer aos turistas o desenvolv...
O Único Verdadeiro Deus Vivo:
OBRIGÁDÔ
Devo agradecer aos turistas o desenvolv...: OBRIGÁDÔ Devo agradecer aos turistas o desenvolvimento cultural da chacota Nacional. Devo agradecer aos turistas a possibilidad...
OBRIGÁDÔ
Devo agradecer aos turistas o desenvolv...: OBRIGÁDÔ Devo agradecer aos turistas o desenvolvimento cultural da chacota Nacional. Devo agradecer aos turistas a possibilidad...
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