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domingo, 6 de dezembro de 2015
sexta-feira, 4 de dezembro de 2015
Abílio Augusto Gonçalves de Miranda | 4 Dez_1927| 3 Nov. 1987 | Gaveta 2678 Cemitério da Amadora.
88
anos
Sentado
na paragem do autocarro, relembro esse fim de tarde onde
desoladamente percorri as ruas que me levariam pela última vez até
si. Ruas estranhas, pisadas por mim, vezes sem conta. Tempo sem
tempo, aquele que demorei a chegar. Estava cansado duma forma
absorta, vazio de uma esperança que julguei, nunca me abandonaria.
Invejoso de todos os sorrisos. Assassino de qualquer alegria.
Acompanhava-me a mais vil das tristezas, embora soubesse que agora
era para sempre. Saboreava todos os paladares da angústia. Sabia
agora, a hipótese exacta da perda. São 19 horas e mais vinte e sete
anos. Correu demasiado depressa o seu tempo. Longo, exaustivamente
longo, foi o tempo que levou a sofrer. Nada era tão real á minha
frente, como o cenário real da sua morte. O Tomás estava no quarto
ao lado, ele que também esteve para morrer. E a mãe com passagens
para a outra realidade. Mas havia um abutre! Um abutre abusivamente
mascarado de palhaço, que não conseguia respeitar a sua partida,
gozando porca e despudoradamente com a situação da minha mãe. Eu
bem o avisei, que ele não valia nada. Tal como fiz dois dias antes,
com uma das suas irmãs, que depois da sua morte, não haveria a
mínima hipótese de qualquer relacionamento entre nós.
Compreendemos os dois, que essa foi a última conversa.
VIVA
LA MUERTE ! Irei abraça-la como um cavalo louco.
04
de Dezembro de 2014.
aNTÓNIODEmIRANDA
quinta-feira, 3 de dezembro de 2015
ESCLARECIMENTO
Têm-me perguntado, o público em geral
e as pessoas em particular, o que será esta coisa do “QIÇE MI
LÁ BUCHE”. Sou um gajo atento e interessado, por isso estou
agora em condições de afirmar, que “QIÇE MI LÁ BUCHE”,
não é uma expressao turca, e em francês não significa, “BEIJA-ME
NA BOCA”. Esclarecidos? Eu também não.
Atentamente,
aNTÓNIODEmIRANDA.
KIKO, o meu cão
O
meu
cão
está a ficar velho.
Cada vez ouve menos e manifesta
uma grande vontade para me chatear o juízo.
Provavelmente morrerá antes de
mim.
Nestas coisas deus nunca foi
justo.
Andamos devagar. Ele senta-se
demasiadas vezes no pouco caminho que percorre.
Eu impaciente digo-lhe : pá,
tens que andar mais um bocado.
Está surdo olha para mim e
diz-me que entende o que eu acabei de dizer.
Teimosamente é ele que conduz o
passeio com as pausas que quer com o ritmo que consegue.
Mas com toda a amizade possível.
Mija aqui snifa ali, por vezes
pára, abana a cauda numa coisa que eu não entendo, num cheiro que
não cheiro e eu penso, está contente , cheira-lhe a menina.
O meu cão é o cão que mais
blues ouve no mundo.
Claro que adormece, ressona
enquanto eu toco aquela coisa que mesmo não ouvindo, vai entendendo.
,2015aNTÓNIODEmIRANDA
quarta-feira, 2 de dezembro de 2015
terça-feira, 1 de dezembro de 2015
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