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domingo, 22 de março de 2015

DEIXA-ME VIR …

Deixa-me vir
Esta foda é minha e tua
Falamos daquilo que nos dá prazer
Somos sol e lua
Aceitaste o convite
Sem medo de te dar
E neste tempo só a ti eu vou querer

Deixa-me vir
Tu sabes como lambes bem
E já conheces os cambiantes do meu sabor
Esta noite és a minha conquista
Ama-me sem fim à vista
Molha-me com o nosso suor

Pois é, pois é…
Já sabemos o que fazer
Sempre que nos encontrarmos:
Inventar o prazer

Foder até nos cansarmos.


ANTÓNIODEmIRANDA

SEDUÇÃO

O sorriso de uma veia
Todos os teus pesadelos
São a realidade que afastas
Qualquer dor é o teu sentido
E mostra-te o caminho que não sabes percorrer.
Todos os dias
Deviam ser de sedução
Todas as noites têm de ter amante
E a intenção do amor uma prioridade constante
Às vezes sentes-te confortável
Talvez sejas uma lágrima
Que escorre dos olhos do deus por ti inventado
Todos os momentos deviam ser inevitáveis
Todos os beijos oferecidos
E o prazer que sempre recusas, fatal.
Todas as teorias são banalidades
Todo o desejo devia ser legalizado
Todo o convite não recusado
Todo o comportamento não normalizado

Todos os destinos não comprometidos.

aNTÓNIODEmIRANDA

SE OS TEUS OLHOS TE VENDESSEM


Eras tão bonita
E já te não quero
It`s all over now
I`m in the blue
You must know, my rainbow
Is not for you
Eras tão bonita
E já te não quero
Procurarei ser digno
Embora saiba que esses delírios
Te perderão num caminho sem volta
Não és a maré que o meu oceano abraça
Nem a paixão que poderá remar o meu barco
Não há culpas nem desculpas
Já nada existe para além disso
Não sou rio onde possas navegar
Nem tu a bela barca que me surpreendia o acordar
Fomos um fracasso total
O que te dei
O que me deste
Não passou de uma mentira banal
Mentiras hesitações contradições insinuações
Déja vu não assumido
Ninguém pega em ti ao colo
Embora te ofereças como um produto num supermercado
Hoje sinto-me doente
Mas há alguém que verdadeiramente o está
A necessidade não explica tudo
E a solidão merece mais respeito.
Se os teus olhos te vendessem
Eras tão bonita
E já te não quero
Como poderei ser teu amigo ?
Sozinho é sempre diferente de solitário.
Estupidez é a asneira repetida  (lembras-te ?)
Escutamos as mesmas músicas
Mas não ouvimos as mesmas canções

Dark clouds rollin`
I`m in trouble with myself ...
(eu já sabia)
Se os teus olhos te vendessem
Eras tão bonita
E já te não quero
It`s all over now
Baby i`m in the blue
You must know, my rainbow
Is not for you
Eras tão bonita
E já te não quero
Definitivamente nem o meu yô-yô já sou
Assim como a amplitude das palavras
Nunca me assustou.
Jogo sempre o jogo que me propõem
Sempre até á última veia
Corto-me quando é preciso
Vou até ao fim
Do fim possível
Não tenho pena de mim
Olho-me
Revejo-me
Acalmo-me
E só vomito o estritamente necessário
Não sou vencido nem vencedor
Não me divido quando estou
Quero tudo e o tudo eu dou
Sem troca
Sem contrato
Com paixão
Com loucura até ao fim
Até ao fim
Desta vez não conseguimos ir
Embora eu saiba que nunca é fácil
Desta vez ficou a tentativa inútil
Dum sonho mal acordado
Poemas clandestinos
Traduzindo o meu optimismo descarado
Palavras de circunstância
Desta vez o amor passou ao lado
E derramamos esperma
Para celebrar a sua ausência
It`s all over now
I`m in the blue
Não te preocupes :
Este arco-iris é só meu
Eras tão bonita
E já não me gustas baby
Embora penses o contrário
Eu não sou um estruturado
Não gosto de guerras perdidas
De intenções mal paridas
Do esquema planificado
Nem da estratégia da segurança social
Gosto dos olhos nos olhos
Das palavras fodidas
Que te cansam e dizes fazem-te mal
Agarro o desafio sempre de forma consciente
Aceito o problema porque procuro a solução
O que assumo depende sempre de mim
Envolvo-me até á medula
Mas não ponho o pescoço no cepo
Sou ainda mais difícil assim
Não vou tirar nada
Daquilo que dizes te dei
Guardo sempre as memórias
Não revejo fotografias
Não colecciono recordações

NÃO CELEBRO OS SOBREVIVENTES DO SEU PRÓPRIO FALHANÇO

Se os teus olhos te vendessem
Eras tão bonita
E já te não quero
Dark clouds rollin`
I`m  in trouble no more
You know  you can`t find me baby
Please knock on another door


Já não me gustas baby


aNTÓNIODEmIRANDA

SOLIDÃO REVISITADA

Só te resta o teclado & o monitor
E alguém estranho diz-se igual a ti
É a solidão revisitada
Sem alma nem cor
É a lágrima queimada
Numa vela apagada
Que nunca soube os cambiantes do amor
É a mentira forjada
Que tu falas na noite acordada
Quando custa mais a dor
O outro lado faz-te sentir importante
Logo pensas que não és a única
Adias o problema
Para o amanhã que julgas distante
E jogas os desejos envergonhados
Fabricas outro dilema
Agora a felicidade está garantida
Se és loura  também podes ser morena
Envias a fotografia fora de prazo
E o manual de instruções para seres fodida
Agora tens mais um caso
Afinal tinhas razão
Como é bom ser apetecida
Estás a começar a ter sorte
Hoje adiaste a morte
Só te resta o teclado & o monitor
E alguém estranho diz-se igual a ti
É a solidão revisitada

Contínua ausência de amor.


aNTÓNIODEmIRANDA

P.


P.


Adeus amor
Já não posso sofrer por ti
Só tive aquele tempo
Não me deste o momento
Para aquilo que te prometi.
Do resto fica o desejo
O adiado beijo
A ideia em flor
E a triste intenção
Que o medo matou.
Ai meu amor
O que eu faria por ti
Se me tivesses dado o tempo
Ou apenas o momento
Para o sonho que não vivi.
Ai meu amor
O que eu não fiz por ti
Mas não tive o momento
Nem sequer o tempo
Na vida que morri.

Eu sei
Que não me deste o momento
Ficará o lamento :

Tu sabes que não te menti.


aNTÓNIODEmIRANDA

DEPOIS


DEPOIS



Depois fica o vento
Que quando sopra me trás os teus beijos
Fica o sabor do momento
Feito chuva de desejos
Resta o nada que me afoga
E as lágrimas que choram
Não sei porque sentimento
Depois fica o tempo
Que nada sabe de mim
Depois fico assim
Feito espuma sem dias
Sem o fogo que tu acendias
Depois perco a alma no teu olhar de ternura
E sei que não foi loucura
Embora me reste a dor
Vou dar todo o meu desespero
Não negarei nunca o amor
Mesmo aquele que não foi suficiente
Mesmo a paixão vivida sem tempero
Agora abraço os lençóis dum corpo ausente.



Depois eu sei que tudo entre nós foi diferente

aNTÓNIODEmIRANDA