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sábado, 4 de abril de 2026

LIVRO DO GÉNESIS (impressão fraque-simulada)

 


Ao princípio não era nada.
E o homem pensou que isso era mau.
E foi assim que foi criada a crueldade.
No fim e por fim Deus comodamente instalado noutras paragens, continua a lamentar o maior erro da sua criatividade: o homem!
Eu bem o tinha avisado que há coisas com que não podemos brincar. Mas a bicicleta ainda não tinha sido inventada.
Moisés tinha uma vara de um acrílico carbonado alérgica a peixes, e teve a preciosa ajuda, quem diria, de um forte vento do leste. A Emel, aproveitando a separação das águas, bloqueou as rodas dos carros dos egípcios, que assim levaram uma grande banhada. Muitos deram à costa em Sevilha, onde foram oferecidas à população opulentas doses de calamares. Oremos ao Senhor que com tanta água nos libertou do imenso calor. O mar vermelho só acontece no Marquês de Pombal, quando o Glorioso ganha o campeonato. Isaías, depois de marcar ao Arsenal, tímido como era, quando lhe perguntaram o que sentiu, socorrendo-se da página de um certo livro, respondeu: eu sou bom, mas o outro é que continua a ser o Senhor do Uni-Verso. Ainda não chegou a minha vez. Palavra do treinador: ainda bem! Todo o nome devia ser santificado e infelizmente isso nunca fez maravilhas. Há quem diga que a salvação está escondida na caixa negra do aeroplano. Lázaro nunca andou, 
Abraão não sabia escrever e mais tarde foi visto a recolher um jackpot lá para os lados de Las Vergas. Isaac, sempre doido pela velocidade, treinava numa carroça com 220 cavalos. Continua preso por excesso de excremento. O filho do Abraão foi salvo da morte por um cordeiro imprudente que mais tarde foi servido em coentrada. O Salmo 32 foi alterado. Continha leituras impróprias para oníricos. Alguns dos caminhos da vida ainda não são conhecidos. Por isso, devemos continuar a desconfiar Daquele que se sentou à direita. Palavra do Senhor: ide-vos que eu fico por aqui. Não me confino nunca a que Deus seja a única esperança do mundo. É um peso demasiado para umas costas tão curvadas. A paz não é eterna e até já foi banida de muitos dicionários. Aqui estamos. Resplandecendo alegremente esta possibilidade nunca correspondida. Palavra do Senhor: Israel é uma conveniência que nunca desculpará um certo erro de cálculo. Não há lei perfeita. E a que o Senhor nos quer impor, ainda menos. Enfim, preceitos que não alegram o coração e apagam olhos que só queriam ver. O temor ao Senhor reza-nos um juízo mentiroso e também é verdade que ainda há quem prefira a posição de "seminário". Gente esta que sabia brincar. Senhor, Senhor estás sempre do meu lado e isso distrai a minha amante. A unidade, dizia o profeta Ezequiel, não pode acontecer com o Espírito Santo. É bem sabido que Ezequiel não gostava da imundice e isso já naquele tempo era uma grande chatice. A minha alma suspira por vós, mas vós, mais do que ninguém, sabeis Senhor que eu sou um mentiroso compulsivo. Como suspira o meu espírito Senhor! Mas desta vez não mentirei. Não estou arrependido. Mas eu sei que o veado suspira pelas águas cristalinas da montanha, onde cítaras tocam poemas louvando a tua ausência. S. Paulo nunca gostou dos romanos. É evidente a maneira como não manifestou qualquer contentamento pelos golos do Paolo Rossi. Baresi e Dino Zoff até lhe provocavam tosse. Aleluia! Aleluia! Gritava ele com o nariz enfarinhado quando o Nápoles de Maradona foi campeão. Ainda hoje, entre espirros gosta de falar disto. O senhor é o meu pastor! Mas a médica proibiu-me de comer queijo. 
Glória a deus nas alturas! No 35º andar vão servir Moet&Chandon e rissóis de camarão. Andainde pois então! Vinde até mim! Há gajas boas no camarim.






 2016,03_aNTÓNIODEmIRANDA
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sexta-feira, 3 de abril de 2026

NOSSA VIRGEM DA EXAUSTÃO

 



[ ouça a aflição da tristeza 
quando se rompeu a cortina da misericórdia para queimar a raiva que nos ampara
]

O que te custa?

Descer da cruz - encenar o calvário - doar os espinhos da coroa - farejar a sorte - bocejar na morte - nada que importe ao incessante pular na crista da maré dos açoites - vontade rarefeita no cair dos sonhos sempre desligados

O que te custa?

Caminhar nas asas do azar - enterrar histórias inventadas por vozes que caminham lado a lado na coroa vestida de trono onde nunca morou a glória

O que te custa?

Aplainar lágrimas de cortiça - curtir bebedeiras de tédio - bater ao postigo errado - cortejar elogios fúnebres - fundir abraços na forja da ansiada amizade

O que te custa?

Lembrar o possível – amolar a esperança – e soltar no vento o auspicioso convite daquele uivo oferecido pela catavento dados afectos

O que te custa?

Limpar a boca com o miolo da dor - riscar saudades na côdea do pão – e na medida do possível - eleger palavras do único e mentiroso deus vivo
 
O que te custa?

Sempre que for oportuno naufragar o apelo da solidão - e resolver esse assunto no tempo não apropriado

Ainda te custa?

Poderei a título privado recomendar um cal center disponível 24 horas por vida.

Nota Bem: se disseres que vais da minha parte, terei de assumir, sem quaisquer honorários, que a culpa de tal desvario, nunca será admitida por mim.

AMÉN!




2026Abr01_aNTÓNIODEmiRANDA
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quarta-feira, 25 de março de 2026

O ENTUSIASMO ORNAMENTAL EVIDENCIA A PRÁTICA CONSCIENCIOSA DA REFLEXÃO EXISTENCIAL

 


No ninho onde as horas calaram a lembrança 
festeja-se o mundo das acrílicas indignações.
E nos murmúrios de poesia, 
escritos no mudo pó, 
bailam sombras em suaves tons de pesadelo.
O cão solteiro agradece tal descalabro 
e brinda atrevidamente à desejada abaladiça.
Na algibeira das sete semanas, 
arrependimentos sem efeitos retroactivos, 
invocam as almas desocupadas 
que albergam as lamúrias da contradição.
Mentes ensebadas acordam o tempo 
onde sangram todos os momentos.
O que farei então? 
Não te preocupes!
(Segredou a cadela “Nina Simone”, 
na ombreira da fábrica, para o cão solteiro).
Quero que saibas que isto nunca será o fim!
Caminhamos na aprisionada vontade do mundo
Que nos Embala Docemente com Nódoas de Escárnio
... Indo devagar não haverá tempo para o chegar.
A bandeira sem cor sorri benevolamente 
para tamanha inoperância. 


2026Mar_aNTÓNIODEmiRANDA
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SE ISTO FOSSE UM POEMA

 


Se isto fosse um poema, beijava a oração do descrédito dos poetas do fim do longe. Enlatava os erros de palmatória, queimava a tristeza absurda que assola as perspectivas e barrava todos os naufrágios deste mar que só lavra a terra do desperdício. Se isto fosse um poema, as horas que me roubam teriam outro tempo e a exactidão dos ponteiros não se aproximaria tanto da fatalidade. Se isto fosse um poema, não teria nojo de toda esta mentira, que tudo me tira nestes dias cortados em fatias envenenadas. Se isto fosse um poema, não lamberia esta gelatina de destroços que me congela os ossos em alguidares de menosprezo. Se isto fosse um poema, queimava o mundo que me vira as costas e a dignidade significada em formas de postas, que me oferece a mais pobre afinidade. Se isto fosse um poema, não seria menos que o resto, e o que de mim dizem faltar, oferecido em festins nus numa festa definhada. Se isto fosse um poema, diria que ler certa poesia, é por vezes um hobby nojento. Se isto fosse um poema, na sombra da árvore sagrada dos versos, sentir-me-ia existir agradecido às folhas que pousavam no meu firmamento, pintava assim as horas amigas, soletrando prazeres com abraços de poetas companheiros, que pisam o mesmo chão.


2017,jun_aNTÓNIODEmIRANDA
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O AMOR PROCURA AGORA OUTRO NOME

 


Farto de morrer na cansada história 
fugiu a tempo da mentira

O amparo da muleta ruiu 

Há quem diga que obedeceu  
a um prévio aviso

O que nos junta 
no simpósio  das ladainhas penhoradas
não é senão um herói 
com ideias de silicone 
reles vendedor 
de religiões Tele Opiadas
contentes por exibir a miséria da sorte 
premiada nos cartões  da ganância

Pensar em ti 
pode continuar a ser uma hipótese 
inoportuna







,2023Dez05_aNTÓNIODEmIRANDA
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SENDO ASSIM...

Louvo aqueles que pelo menos fizeram bem 
uma só coisa.

Tenho pena dos outros, 
para quem carregar no botão do autoclismo, 
possa ser um acto sublime.

Sendo assim...

Tirar macacos do nariz, 
não deixará nunca de ser uma nobre 
possibilidade.



,2017out_aNTÓNIODEmIRANDA
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terça-feira, 24 de março de 2026

SEGUNDAS NÚPCIAS


 Até que a sorte nos separe

Diziam um para o outro,

Relegando a morte

Para segundas núpcias


,2017dez_aNTÓNIODEmIRANDA
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SESSÃO MATINAL DAS FEZES

 


A perspectiva que me querem vender
é uma vacina bacteriologicamente infectada.

Uso-a na sessão matinal das fezes.

Carimbo no papel higiénico
assinaturas de concordância.







2017,jun_aNTÓNIODEmIRANDA
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NOITE SEM SONO ENTRE LENÇÓIS INQUIETOS

 


Apago a ideia

Queimo o sentido da ilusão
Provavelmente aparecerá 
a saudade das palavras 
que nos tornaram amantes 
confortavelmente infelizes

                [pode ler-se no dicionário 
                            das propostas absurdas]

Todos os dias me abandono 
neste cansaço colado 
no contrário do desejo 
que mata a crença surreal 
desenhada nas audácias 
assassinadas




,2023Dez01_aNTÓNIODEmIRANDA
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segunda-feira, 23 de março de 2026

NEM PARA MIM JÁ NADA PROMETO

 


Adormecer 

No 

Teu 

Epitáfio  

E

Desligar 

presente




,2023Mar_aNTÓNIODEmIRANDA
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SE O AMOR TE ENGANA

 


Se o amor te engana

É porque existes.

Será esta a única razão

Para não o difamares.


,2017dez_aNTÓNIODEmIRANDA
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MEMÓRIAS FERRADAS NA PELE

 


            Como as sombras da fantasia que aquecem os nós da ausência, tenho vadiado a esculpir sementes do céu, enquanto os traços da rara beleza, adormecidos na saudosa máquina de sonhar, agitam silêncios martelados nas veias da solidão.
            No envelope das cinzas arrumadas no canteiro da poesia, versos por dizer escutam a canção nocturna dos amantes sentenciados.
            Se a noite pudesse mentir, oferecia-lhe com as mais suaves lágrimas de júbilo, a súplica do eterno adormecer. 
            Mas não sei sacudir a presença do tempo, neste diálogo discordante com o mundo onde permaneço empunhando a recusa do aplauso efémero.
            Como as estrelas chorando a infinita crueldade do universo, sinto-me um fungo atolado na pocilga das inúteis contrições.
            Falo, não sei com que palavras, para as pedras desta alameda sem ânimos para navegar. 
            Doem até mais não, as memórias ferradas na pele!
            Pode o mundo acabar nas frias manhãs do delírio e assim sossegar o sofrido tropel do desejo.
            Tal como as sombras abotoadas à bengala dos anos, tenho corrido sem parança para alojar no albergue das indignações, as sementes de um imaginário céu entalhadas na voz onde a palavra já não cabe. 

                Justamente como as bravuras da utopia…



2026_mar19-Sams_aNTÓNIODEmiRANDA
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PLEASE TO MEET YOU! i`ll never forget your name (Patrícia Baltazar) / PATRÍCIA BALTAZAR (1977-2019) * Gostava muito desta rapariga





Sempre que estamos
Completamos o mundo.
E ambos sabemos
que a matemática
é sempre alheia a esta amizade.
Haverá porventura gente invejosa
com olhos de não ver
aquilo que verdadeiramente
é Gostar.
Eu não lamento nunca
as ausências que não me respeitam.
Tenho em mim
veias diferentes
que definem possibilidades
por eles nunca adquiridas.
Somos assim
aquela estrela incendiada
que em nada os poderá abraçar.
Porque eles
escorrem desculpas tardias
tão inúteis que não cabem sequer
numa bolsa de rapé.
Tenho-te em mim
no lugar mais sagrado
onde continuo a guardar
pétalas de um sol
que só os meus amigos podem tocar.
Born to be wild.
Custa tanto!
Mas diz-me
haverá outro modo?
Kisses
(de um amigo inevitável).
PLEASE TO MEET YOU!




,2016,04.17,no barco do Barreiro_
aNTÓNIODEmIRANDA
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The Rolling Stones - Midnight Rambler (Live) - OFFICIAL

 https://youtu.be/DRot9IjNSso?si=QiT1SsTvXmseHG1k

domingo, 22 de março de 2026

Alfredo Marceneiro - É tão bom ser pequenino

https://youtu.be/0DbUT5CaFxM?si=vjjj4ijMg2G9ce7k 

O CÃO DO POETA FERLINGHETTI

 


Na curva onde morre o fim do mundo, 

o cão do poeta Ferlinguetti entregou um poema.

Quando o tempo nos abandona, despejamos as mesmas desculpas, cuspimos o mesmo sangue, repetimos os mesmos medos. 

Na toca dos solitários lamentos, veste-se o desejo do amanhã, que, não importa o que será, tarda em chegar. 

Na curva onde morre o fim do mundo, o cão do poeta Ferlinguetti, sossega através da janela, olhares sem cura possível. 

E na trilha da inabalável fé, o seu ladrar saúda a doce aparição da bondade projectada num écran imaginário.

E nos atalhos da decência não orquestrada, cumprimenta os que fugiram do mundo e voltaram para o filme, e que agora descansam na Oficina da Reparação dos Silêncios.

O cão do poeta Ferlinguetti, sentado no banco das mágoas, tenta abrir o cofre dos aflitos aplausos. 

Já passa da meia-noite e o camião da recolha das frustrações está, como sempre, atrasado. 

O pessoal do condomínio está deveras inquieto! 

Ele há demoras que não se desculpam. 

E na curva onde morre o fim do mundo, o cão do poeta Ferlinguetti, ofereceu à 

Repartição dos Sonhos Sem Data Prevista para Acontecer, 

o Relatório Anual das Notícias Atractivas.


2026Fev28_aNTÓNIODEmiRANDA
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CRÓNICAS DA ESPLANADA

 


Nos degraus do desejo
acendo o caderno das recordações.

[ Alguém no baile das escolhas
rasuradas com fragâncias da imaginação
activou o plano da indulgência para o
humor alfinetado ].

Na arte do martírio perfeito,
O bando do tempo quis mudar de vida.

Infracção detectada!

Proibida a ida ao jardim dos egos rimar a
Estima.

[ As ferozes artroses entoam
o cântico da morte, que,
sentenciaram não iria acontecer ].

A vida corre num rio chorado
Que dirige o desgosto obrigatório.

Entreguem-me a manhã sem atalhos
nem ondas de medo para o satélite da
amizade.

[ Aviso que estou à espera da turma
das ilusões

 autografadas pela bala de 
deus ]


2026_01Mar_aNTÓNIODEmiRANDA
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The Jimi Hendrix Experience - Hey Joe (1967)

https://youtu.be/gUPifXX0foU?si=KmPnN5h1J8nRKWzV 

terça-feira, 17 de março de 2026

ESPECIAL DIRECTO

 


Ahmed tinha 5 anos.

Corria ligeiro para se esconder 
das bombas.

Gui, lá na Europa,
já sabia ler quando entrou na escola.

Youssouf vertia lágrimas
no medo que o mar lhe mostrava.

Cá fora,
no jardim da felicidade artificial,
sábios da maldade acumulada,
ensaboavam a opinião pública,
com teorias da preocupação amestrada.

Morre-se selvaticamente 
na indiferença assassina,
incinerada no directo especial.

Virámos as costas.

A nossa incapacidade só isso permite.







,2018jan_aNTÓNIODEmIRANDA
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DEVIL GOT MY WOMAN

 



Disseram-me que foi o diabo 
que me mostrou aquela mulher de soutien vermelho e matrícula da triumph.
Deu-me a volta à cabeça esta atracção fatal 
embora ela continue a dizer que não me ama.
E eu digo-lhe que nunca irei encontrar alguém assim.
Diz-me que minto e tudo o que faço é errado.
Detesta-me tanto, e não me quer a seu lado.
O seu roncar tinha influências óbvias de um hip-hop.
Naquela tarde descobri que não estava 
com embocadura para o sax. 
Tentei trocar a língua da vogal, 
mas não consegui um sequer resultado palpável. 
Chamei alguns dos nomes não imprimíveis 
à minha falta de jeito.








2016,09aNTÓNIODEmIRANDA
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sábado, 14 de março de 2026

PARA ALÉM DA IGNORÂNCIA...

 


Um árduo caminho embrulhará 
os meus ossos.

Que atrevimento 
insensatamente ignorado 
irá bordar no bailado do vento 
todas as vontades que 
consegui?

                                     Fui herói na história 
                                        por mim tantas vezes perdida.

                                    De vilão não passei 
                            nas guerras que me fizeram                                                         pertencer.

Estou aqui!

Para além da ignorância...



,2024Mar02_aNTÓNIODEmIRANDA
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ENTULHO

 


Apanhado num mentiroso gps que não descobriu o radar, talvez seja a hora de procurar outra largura, outra rua menos mentirosa onde dançam abóboras bêbadas lá na esquadra dos Village People, procurando um sexo onde não cabem. 
E isto é grave! 
Roubaram o swing aos santos e pensam que nos alegram com trailers obscenos onde bombas sexy nos dizem para termos cuidado com o amor. 
A ti eu brindo, futuro sem mim, nesta febre de sábado à noite para dançarmos os whiskies mais bêbados. 
Claro que não fomos correctos, mas não tínhamos nada para fazer, naquelas manhãs dos domingos tristes, onde encarcerávamos sorrisos mais ou menos à razão do entulho por metro quadrado.
É preciso incendiar.
 






2016,11aNTÓNIODEmIRANDA
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Manu Chao live - "Desaparecido" & "Rumba De Barcelona" - Baionarena

 https://youtu.be/l-wWoofPkEc?si=Y0cn_TjwpIm5deFp

sexta-feira, 13 de março de 2026

ERA JOVEM…

 


Depilo a memória com a cera dos neurónios estragados.

Abro o frasco com os sabores de alguma da minha infância na bouça de Balugães, onde gravei o nome no tronco de um pinheiro que o meu avô me entregou.

Nunca mais nos tocámos.

Era jovem… 

Cuidava que os mais velhos não se esqueciam.






2016,10aNTÓNIODEmIRANDA
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DE VOLTA À JANELA DO SONHO

 


Abrigo-me na mente abençoada
por acordes em permanente
Harmonia

Chafurdar o desalento
na marmita das
Contemplações

Afogar as falas da ausência sem fim

E no intrometido bónus do beco das
maldades
Reparar o futuro com ampolas de coragem

Até porque…
Esperar que aconteça
Nunca será um bom
Remédio


,2026Fev_aNTÓNIODEmiRANDA
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sábado, 7 de março de 2026

PARFOIS ET PEUT-ÊETRE

 


                            Vou 

                                            Aqui 

                                                            Ordenhar 

                            

                                            Ilusão 

                                            Espalhando 

                            Metáforas 

                                                Pela 

                            Mente 

                                                Fora


QUELLE HEURE EST-IL EM ARGANIL?


2026Mar_aNTÓNIODEmiRANDA
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Obrigado! Paula Barata e Paula Montez !

 



ORAÇÃO DO RESGATE

 


Conta-me como dói. 
Quero ouvir o SOS mais perfeito.
Conversa motivacional teoria do autoclismo enche sempre a retrete. Não quero ferir sustentabilidades. Depósito de mão-de-obra barata gestor psicopata não pago esta dívida não aceito esta dúvida livre-trânsito para a trapaça, ninguém sabe o que se passa manta remendada economia rota rebaixa de preços promoções saldos especiais activos tóxicos cofres cheios estamos preparados obedientes e bem-educados honestos e cumpridores agradamos aos credores economistas e doutores somos o verdadeiro exemplo de quem gosta de ser manietado. O desemprego está bem e recomenda-se! A política social não entra no hospital é perda de tempo doença venérea sem cura. A miséria é o caminho, diz o ominoso 1º com muito carinho. Abençoada Merkel, que estás na cee. Mostra aos não pagadores, como é que é. O pão nosso de cada dia tirai-nos hoje, cuida de nós os preguiçosos e perdoa-nos a nossa pobreza assim como nós perdoamos a quem nos tem roubado. Put(r)inficado seja o teu nome. Que nunca seja feita a tua vontade assim na Grécia como em Portugal e não nos deixes cair em tentação, mas livrai-nos do vosso mal. 
Não creio em ti mãe todo-poderosa, criadora da fome, da angústia e da não condição, e em Schaeuble, teu único filho, nosso algoz, que foi concebido pelo poder da Lagarde, a maior, a puta bendita de todas as vacas; resgate, rédea curta, pára-lamas enferrujado, olhar desfocado camafeu, padeceu sob banco central europeu, ainda não foram crucificados, nem mortos nem queimados; não poderão nunca ser respeitados e subirão para nossa glória, aos céus, onde se sentarão na ala dos deficientes crónicos. Bem-vindos á mansão dos mortos onde ninguém ressuscitou ao terceiro dia.

Tu és o meu pastor, e, isso faz de mim, uma ovelha ranhosa.
Oremos, nunca resignados a oração do resgate:

Senhor eu não sou digno da tua cirrose, mas dizei uma só palavra e eu te livrarei da artrose.




2015jul_ aNTÓNIOdemIRANDA
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sexta-feira, 6 de março de 2026

MIRANDO O MUNDO NA “TERRA LAVRADA” DO MIRÓ

 


Escondem-se as cores 
na misericórdia da tela 
e purificam-se os pincéis
na vergonha dos godés. 

Estas horas fugiram dos ponteiros. 

Por isso dizem que a anomalia do tempo 
é severa. 

Urgente será desencaminhar 
a normalidade 
para que não se festeje 
a mesma mentira.

                                        Próxima estação:
                                                Os sabores do 
                                        medo.

Assim, 
Mais do que o Mundo, 
Agradeço a Ressurreição
Dos talentos Verdadeiramente 
Convincentes.





2026Mar_aNTÓNIODEmiRANDA
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quinta-feira, 5 de março de 2026

ALGUÉM INVENTOU O FALHADO QUE NÃO SEREI

 


Mesmo os passos que habito 
conhecem o sabor dos prantos que 
os consolam. 
Escondido na carroça das vontades, 
não consigo alcançar o refúgio 
das almas encomendadas à capela 
das contemplações.
Outrora na estrada, 
à procura da vida especial, 
ousei sugerir toda a misericórdia 
para esta desavença. 
Deambular num suicídio iletrado 
agarrado à canção sorteada 
na roda das palavras sem fim à vista.
E no bailado das suposições, 
ondas de aplausos remendam 
o olhar talhado, 
qual comprimido milagroso 
acordado por um sonâmbulo trazido 
no apelo das areias movediças.
Agora refugiado na cama 
de papel dormente, 
lembro assim a pretensa existência.
Sei perfeitamente que ninguém tocará 
a sineta da minha espera.
Já entreguei tal mágoa no 
Armazém das Bagagens Sem Destinatário.




2026Mar_aNTÓNIODEmiRANDA
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quarta-feira, 4 de março de 2026

BOTÃO DE ALARME

 

E Dizia 
O Inteligente
Para O Pateta 
Que Se Afirmava 
PÚ-eta

:

Então, 
Quando 
Teremos
Novidades
Sanitá-rias?

Brevemente
Retorquia
O Penetra









2026Mar_aNTÓNIODEmiRANDA
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PRÉDICA DE ALGUÉM MINIMAMENTE ESCLARECIDO

 


                        Não 

     quero andar por aí 

nesses 

Boatos


            À 

                mercê de um 

qualquer 

                Broeiro


Feito 

    Símbolo Sexual 

de

 Aviário




2026Mar_aNTÓNIODEmiRANDA
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UMA FEIRA POPULAR NO MEU DESERTO - 71

 


                    Gostava de ir ao destino para ter outro nascer sem esta apoquentada mania de pensar o viver. 
                    Triste coisa desatinada no já longo morrer porque neste desassossego deitado na cama do medo, 
já não se esconde a chama da tranquilidade.
                    Dizem saber o caminho, 
mas ninguém o quer mostrar. 
                    Os sons à volta, sem nada para dizer, voam no suor batendo à porta, 
como quem chama por mim.
                    Despedir o destino sem desculpas para escrever, talvez falar no adeus do tempo que me faz sofrer, e navegar em qualquer nuvem, não importa o lugar, para nos versos do poeta, descansar o meu achar.
                    Porque a vida vai indo nos soluços deste apressado tropel.
                    Depois seria fácil anavalhar o convite do céu.

(Estás sempre a brincar)!

          Por uma vez gostaria que isso fosse verdade.

O nojo está no ninho!

Podes cá vir…


2026_3Mar_aNTÓNIODEmiRANDA
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segunda-feira, 2 de março de 2026

& O RESTO SÃO FALCATRUAS

 


            Sem 

                    Óvulos 

                            Não 

                                    Se 

                                            Fazem 

                Marionetas 



2026Mar01_aNTÓNIODEmiRANDA
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domingo, 1 de março de 2026

A ASCENSÃO CELESTIAL ESTÁ PELAS HORAS DA SEPULTURA

 

Havia um reboliço na ilha 
e um cardápio fora de horas 
                anunciava uma amnistia indolor.
Sete lâmpadas desconfiadas 
            afiaram as garras na obsoleta agenda 
            das sugestões num discurso paradigmático.

                                    E haja alguém, que não eu, 
para assoar os não abençoados 
inteiros ou mesmo desossados
asilados no orfeão das lamúrias. 
                                Ao adeus não se nega a formosura.
(até porque a ascensão celestial 
está pelas horas da sepultura).
                            Ofereçam-me um armistício não conspurcado, 
um aceno mesmo acanhado
            com visitas não danificadas para o próximo purgatório.
                            Tomarei conta de ti!
                            Em momento algum sentirás a minha presença.
                            (Cuspiu no ouvido a  importância da ausência).

Sou feliz e só por isso, 
logo fiquei fora disto,     
            e nunca mais senti me senti só.
 
                    E fora do alcance da vontade penhorada,
                    lembrar-me-ei sempre de ti!

Mesmo que a memória não queira. 



2026Mar_aNTÓNIODEmiRANDA
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SHITSEEING (Bertholt Friedrich Brecht , o senhor tinha razão)

 


Acabou a drogaria.
Apareceu a “creperie”.
Não era comigo,
Não me importei.
Fechou a velha retrosaria.
É agora uma “boulangerie” Alsaciana.
Não era comigo,
Não dei relevância. 
O sapateiro desapareceu.
Instalou-se naquele lugar uma gelataria.
Não era comigo,
Não me preocupei.
A taberna fechou.
É agora um “bistrot” com palavras esquisitas.
O alfarrabista foi assassinado
por uma loja de artesanato português,
feito num país qualquer,
que nada sabe do galo de Barcelos.
A livraria enforcou-se 
com um nó de coragem ressequida.
Não era comigo,
Não me incomodei.
Fui corrido da minha casa.
Tarde demais.
&...
Não acontece só aos outros.


2018Mar_aNTÓNIODEmIRANDA
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4

 


Rosas louras
morreram a caminho 
do bouquet

Espinhos silenciosos
choram  no jardim
das ausências

4
 Lágrimas molham
o cálice
das hóstias

Facas feridas
sangram o carpaccio
da sua saudade

Beijos
Tentam enfeitar
tristes manhãs

Por vezes
será um número
enganador






,2017Fev_aNTÓNIODEmIRANDA
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sábado, 28 de fevereiro de 2026

SLB!

 Sou do BENFICA!

 Esta é uma das certezas que me tem acompanhado ao longo da minha vida.

E, acreditem, a minha vida não a deito fora.

aNTÓNIODEmIRANDA



2014 PORTUGAL (como se fosse poema) * Ó COELHO VAI-TE EMBORA QUE A MALTA NÃO TE QUER DE VOLTA

 https://www.facebook.com/miranda.antoniode/videos/900956229945634/?t=107



Portugal !
Agora sou um pedinte !
Mas, não te preocupes :
Isto é só uma espécie de poema.
Eu sei perfeitamente
que a não notícia da minha morte
passará despercebida.
Escreverei 
no testamento que te vou enviar
que as tuas pedras
não me ferem tanto
como os discursos impregnados de mentiras
pronunciados em conferências de imprensa,
onde mentes uma fingida preocupação.
& costumava ser tao fácil gostar de ti
Quando poderei entrar num supermercado
e comprar o que me faz falta
com a minha pobreza ?
Portugal ! 2014 !
O meu nojo tem mais idade
e eu quero morrer
antes do tempo confirmar a tua mentira.
Prometes tudo
e tudo me roubaste.
Nem 1 cêntimo foi devolvido.
Portugal !
Não fiquei surpreendido.
Tu és como um penico :
mesmo vazio, ocupa espaço.
& costumava ser tao fácil gostar de ti.
Cheguei a ser feliz com o sabor da tua ilusão.
Que sonho eu aqui á beira mar plantado,
onde a não notícia da minha dor 
passa despercebida ?
Mas, não te preocupes :
não faças isso por mim :
isto é só uma espécie de poema.
Portugal !
Da tua incoerência
herdei a insustentável rudeza
de nada ter.
Agora sou um pedinte !
& costumava ser tão fácil escrever poesia !
A minha raiva
não acontece para te agradar.
Agora sou um pedinte !
Mas não te preocupes :
isto é só um poema.
Portugal !
És agora um país
de putos e meninas :
eles enchem o cú
elas ocupam as vaginas.
Portugal !
Eu não estou contente.
vejo os teus desempregados a chorar,
vejo tanta gente a partir,
vejo a tua inversão de perspectiva,
vejo os teus velhos abandonados
desejando aquilo que nunca deveria acontecer :
acreditaram no teu sonho
e agora vejo nos seus olhos
uma indigna condição,
uma vontade apressada de morrer.
Portugal ! 2014 !
59 anos | 47 anos de trabalho.
47 anos legalizados pelo teu roubo ilegal .
Portugal !
Vivemos o tempo dos assassinos!
Dos mentecaptos !
Dos inúteis !
Dos inaptos !
Dos cretinos !
Dizes que é para o nosso bem,
mas porque sentimos
que nos estás a matar com tantos mimos ?
Portugal !
O teu falhanço nem sequer foi grande coisa.
Não me apeteces !
Já não posso morrer por ti.
Quando te cansarás
da árdua tarefa de libertares os teus ladrões ?
Portugal !
A minha cabeça tem uma estranha ideia.
O teu estado é caótico.
Estou imbuído de um espirito antagónico.
Tem cuidado : o meu pénis é atómico.
O meu desejo é automático.
Estou farto dos turistas do eléctrico 28
( Quando é que os informas 
que comprar o bilhete com a merda de uma nota 
de 50 euros, deixa-me abusivamente quilhado ?)
Portugal !
Agora nada posso impedir.
Vou dizer
e nem sequer é foleiro :
já foste um país porreiro !
Portugal !
Vendeste-te á puta errada :
A Angela não gosta de ser fodida !
Não tiveste cuidado
e ela é manhosa.
Portugal !
Mandaste-me á merda
sempre que te disse :
Ela é perigosa.
Portugal !
Vais morrendo,
matando cinicamente
um povo que lava no rio da grande desilusão
as tábuas do seu próprio caixão.


.2014aNTÓNIODEmIRANDA
#Livraria Buenos Aires#_tea for one_2015





CORRE COELHO

O coelho tem maus hábitos.
Já toda a gente devia saber.
Fala na tv com a voz entupida,
jurando que naquele tempo,
não nos queria foder.
É tão acre o seu cócó,
que até nos dá dó.
Esconde os dentes de vampiro
e num merdoso suspiro,
alisa a queda do cabelo,
espalhando penumbra 
nas palavras sempre mentirosas.
É um boy filho da trapaça.
Alguns ainda acham graça,
mas o seu tio
já empenhou o espaço publicitário.
Corre coelho,
taparam-te a toca,
ninguém te quer no aviário.
De nada és culpado?
Só a tua estupidez diz o contrário.

2017set_aNTÓNIODEmIRANDA








sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

MAP - Mostra de Artes da Palavra · ​☕ Café dos Poetas Nº38 "A Poesia da Beat Generation" 26Fev2026 com: Levi Condinho, Miguel Martins, Inóspita (música), Fernando Rodrigues (Luchapa) e Nuno Miguel Guedes (moderação) 26 de Fevereiro 2026 Fotografia: João Torres

 











NUNCA VOS PROMETI A AUDÁCIA DA PERFEIÇÃO

 

Abro a mala e começa a vida.  
A utopia nunca apareceu.
Olá colapso celestial! 
Imaculada seja a ignorância das ideias cozidas, na cabeça desolada por avenças previamente alojadas nas mais bentas nuvens de medronho.
Cansado de não encontrar a minha natureza
alvejo o homicídio do voo da liberdade enquanto a inteligência acamada na taça dos sortilégios baptiza a idade da inútil aflição. 
Adoro este mentir e o seu doudo abraço à tenda das contradições suavemente pornográficas.

MAS, NUNCA VOS PROMETI A AUDÁCIA DA PERFEIÇÃO

Como gostaria de saber  as coordenadas
para me sentir um arco-íris!
Cuidado!
Há por aí algumas vertigens 
com origem não alucinogénia duvidosa.
Aqui, a matutar no cadafalso das preces desajeitadas,
mais uma vez afirmo:

NUNCA VOS PROMETI A AUDÁCIA DA PERFEIÇÃO

E no abraço que entrega a morte, ao instante do prenúncio sem norte onde caberiam expectativas nunca velhacas,
um feitiço adolescente pendura na cancela da fronteira do absurdo,
abrenúncios penhorados.

CONTUDO, NUNCA VOS PROMETI A AUDÁCIA DA PERFEIÇÃO

Não busco a coerência da lógica 
nem admiro elencos instruídos.
Fico-me pelo baile não atrapalhado 
dos guerreiros da revolução não conivente.
Devastação crónica.  
Panfleto avulso avesso à indigna celebração.
Aterro de fingimento, a desta reputação enlatada.
Fecundo a pompa com furor num esboço de conveniência maltratada. 
A hipótese nefasta desenha na insignificância convincente manifestações hostis,
enquanto a mendiga radicalidade anseia por um qualquer perdão falsificado. 
Pensaste que absolveste a besta que exibe desavergonhadamente
uma sarna sempre à mão, fatalmente carregada de religiosos propósitos.
Triste ementa te escreveram
.
TODAVIA NUNCA ME PROMETI A AUDÁCIA DA PERFEIÇÃO


2025Fev27_aNTÓNIODEmIRANDA
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terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

FORA DO SONHO NEM SEMPRE VIVE A VERDADE

 


Colamos na alma os dias luminosos das histórias que amamos.
A morte fica-lhes tão bem.
Do outro lado do mundo se não morres na morte padeces na sorte.
Nunca tão tristes viram estas mãos nuas sobre a terra sangrenta.
Gostaria que por vezes as palavras não cultivassem o condão da mentira.
Cavalgo um catavento misericordioso sempre pronto a fugir do anseio 
qual rio de geleia esfregando as mãos no monte dos desperdícios. 
Como confortar o furacão que navega na horta dos desejos, desobedecendo às amarras do tempo chorado? 
Alguém viu o bando de espermatozóides desempregados apanhado a vender preservativos empolgados à porta da Oficina dos Poemas para celebrar práticas emocionais?
E, no armário dos sorrisos, esconde-se a enciclopédia dos maus feitios.
O falsário das indicações não recicladas, (divinamente autografadas em claro respeito pelos Presentes_E_Ausentes), encomenda ao CriaMor 3 certificados sermões na brasa.
Para que saibam, não estive lá. 
Alguém fugiu do paraíso. 
Cada vez tornam -se mais raros os sinais da inteligência. 
Também já não se aplaude sabiamente. 
Um fantasma voando na nuvem de algodão oferece uma temática inoperante. Bactérias disfuncionais habitam o corpo em adiantado estado de desilusão, piscando olhares apodrecidos. 
Lentamente vai-se finando a esperança. 
O relato do passado magoado obrigado a mentir, destila à toa palavras da  sorte. Apaixono-me de cada vez que aqui estendo o olhar. 
Um grito gourmet sem gorjeta aparecida. 
O sorriso sonolento acena a um cais moribundo com a previsão do boletim neurológico. 
E um calendário ruinoso dirige o tempo assassinado, para que o sangue oculto numa esquina discreta, aplauda a magnífica derrapagem da maldade da glória sem corrigir o inquieto adormecer. 
Até porque engomar pesadelos é a desculpa sem futuro. 
E assim se edifica 
A miserável Comédia Da Vida.







2026Fev_aNTÓNIODEmiRANDA
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SÓ ESTOU Á ESPERA DA CHEGADA

 
Como uma nuvem abençoando a chuva no lamento de todos os golpes, choro na alma as vozes que mataste. 
E os algozes que louvaste? 
Dos ideais que enterraste nem ouso escrever. 
E os gritos que calaste? 
É urgente que nos deixemos de conhecer. 
Há muito que deixei de acreditar nas portas douradas do paraíso. 
Respeitei apenas a advertência da minha salvação emocional. 
Cá se fica enviuvando a morte em vivos soluços. 
Ninguém se importa com os olhares que gritam o dorido destilar das memórias numa qualquer sargeta, 
como se fosse obrigatória a tristeza. 
E assim, na penumbra da inocência 
sacode-se o nojo que envenena a vontade. 
A vida só queima o tempo. 
E os murmúrios do silêncio serão para sempre a única a verdadeira possibilidade.
(as estátuas há muito que deixaram de ouvir o nosso cumprimento). 

Jaz a vida num cabaz agonizante. 
Nada para ver.
 
É tudo tão diferente do que se tenha 
imaginado. 

E agora que as horas sumiram, 
onde será punido o desalento?
 
A duas linhas paralelas 
nem sempre se poderá resistir 
à beleza do seu convite.

2026Fev_aNTÓNIODEmiRANDA
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