2016,03_aNTÓNIODEmIRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com
Se isto fosse um poema, beijava a oração do descrédito dos poetas do fim do longe. Enlatava os erros de palmatória, queimava a tristeza absurda que assola as perspectivas e barrava todos os naufrágios deste mar que só lavra a terra do desperdício. Se isto fosse um poema, as horas que me roubam teriam outro tempo e a exactidão dos ponteiros não se aproximaria tanto da fatalidade. Se isto fosse um poema, não teria nojo de toda esta mentira, que tudo me tira nestes dias cortados em fatias envenenadas. Se isto fosse um poema, não lamberia esta gelatina de destroços que me congela os ossos em alguidares de menosprezo. Se isto fosse um poema, queimava o mundo que me vira as costas e a dignidade significada em formas de postas, que me oferece a mais pobre afinidade. Se isto fosse um poema, não seria menos que o resto, e o que de mim dizem faltar, oferecido em festins nus numa festa definhada. Se isto fosse um poema, diria que ler certa poesia, é por vezes um hobby nojento. Se isto fosse um poema, na sombra da árvore sagrada dos versos, sentir-me-ia existir agradecido às folhas que pousavam no meu firmamento, pintava assim as horas amigas, soletrando prazeres com abraços de poetas companheiros, que pisam o mesmo chão.
Até que a sorte nos separe
Diziam um para o outro,
Relegando a morte
Para segundas núpcias
Adormecer
No
Teu
Epitáfio
E
Desligar
o
presente
Se o amor te engana
É porque existes.
Será esta a única razão
Para não o difamares.
Na curva onde morre o fim do mundo,
o cão do poeta Ferlinguetti entregou um poema.
Quando o tempo nos abandona, despejamos as mesmas desculpas, cuspimos o mesmo sangue, repetimos os mesmos medos.
Na toca dos solitários lamentos, veste-se o desejo do amanhã, que, não importa o que será, tarda em chegar.
Na curva onde morre o fim do mundo, o cão do poeta Ferlinguetti, sossega através da janela, olhares sem cura possível.
E na trilha da inabalável fé, o seu ladrar saúda a doce aparição da bondade projectada num écran imaginário.
E nos atalhos da decência não orquestrada, cumprimenta os que fugiram do mundo e voltaram para o filme, e que agora descansam na Oficina da Reparação dos Silêncios.
O cão do poeta Ferlinguetti, sentado no banco das mágoas, tenta abrir o cofre dos aflitos aplausos.
Já passa da meia-noite e o camião da recolha das frustrações está, como sempre, atrasado.
O pessoal do condomínio está deveras inquieto!
Ele há demoras que não se desculpam.
E na curva onde morre o fim do mundo, o cão do poeta Ferlinguetti, ofereceu à
Repartição dos Sonhos Sem Data Prevista para Acontecer,
o Relatório Anual das Notícias Atractivas.
Não posso
Decantar o
Desespero
Ontem
De manhã vesti o
Dia ao contrário
https://youtu.be/l-wWoofPkEc?si=Y0cn_TjwpIm5deFp
Vou
Aqui
Ordenhar
A
Ilusão
Espalhando
Metáforas
Pela
Mente
Fora
QUELLE HEURE EST-IL EM ARGANIL?
Não
quero andar por aí
nesses
Boatos
À
mercê de um
qualquer
Broeiro
Feito
Símbolo Sexual
de
Aviário
Sem
Óvulos
Não
Se
Fazem
Marionetas
Sou do BENFICA!
Esta é uma das certezas que me tem acompanhado ao longo da minha vida.
E, acreditem, a minha vida não a deito fora.
aNTÓNIODEmIRANDA
https://www.facebook.com/miranda.antoniode/videos/900956229945634/?t=107