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sábado, 4 de abril de 2026

LIVRO DO GÉNESIS (impressão fraque-simulada)

 


Ao princípio não era nada.
E o homem pensou que isso era mau.
E foi assim que foi criada a crueldade.
No fim e por fim Deus comodamente instalado noutras paragens, continua a lamentar o maior erro da sua criatividade: o homem!
Eu bem o tinha avisado que há coisas com que não podemos brincar. Mas a bicicleta ainda não tinha sido inventada.
Moisés tinha uma vara de um acrílico carbonado alérgica a peixes, e teve a preciosa ajuda, quem diria, de um forte vento do leste. A Emel, aproveitando a separação das águas, bloqueou as rodas dos carros dos egípcios, que assim levaram uma grande banhada. Muitos deram à costa em Sevilha, onde foram oferecidas à população opulentas doses de calamares. Oremos ao Senhor que com tanta água nos libertou do imenso calor. O mar vermelho só acontece no Marquês de Pombal, quando o Glorioso ganha o campeonato. Isaías, depois de marcar ao Arsenal, tímido como era, quando lhe perguntaram o que sentiu, socorrendo-se da página de um certo livro, respondeu: eu sou bom, mas o outro é que continua a ser o Senhor do Uni-Verso. Ainda não chegou a minha vez. Palavra do treinador: ainda bem! Todo o nome devia ser santificado e infelizmente isso nunca fez maravilhas. Há quem diga que a salvação está escondida na caixa negra do aeroplano. Lázaro nunca andou, 
Abraão não sabia escrever e mais tarde foi visto a recolher um jackpot lá para os lados de Las Vergas. Isaac, sempre doido pela velocidade, treinava numa carroça com 220 cavalos. Continua preso por excesso de excremento. O filho do Abraão foi salvo da morte por um cordeiro imprudente que mais tarde foi servido em coentrada. O Salmo 32 foi alterado. Continha leituras impróprias para oníricos. Alguns dos caminhos da vida ainda não são conhecidos. Por isso, devemos continuar a desconfiar Daquele que se sentou à direita. Palavra do Senhor: ide-vos que eu fico por aqui. Não me confino nunca a que Deus seja a única esperança do mundo. É um peso demasiado para umas costas tão curvadas. A paz não é eterna e até já foi banida de muitos dicionários. Aqui estamos. Resplandecendo alegremente esta possibilidade nunca correspondida. Palavra do Senhor: Israel é uma conveniência que nunca desculpará um certo erro de cálculo. Não há lei perfeita. E a que o Senhor nos quer impor, ainda menos. Enfim, preceitos que não alegram o coração e apagam olhos que só queriam ver. O temor ao Senhor reza-nos um juízo mentiroso e também é verdade que ainda há quem prefira a posição de "seminário". Gente esta que sabia brincar. Senhor, Senhor estás sempre do meu lado e isso distrai a minha amante. A unidade, dizia o profeta Ezequiel, não pode acontecer com o Espírito Santo. É bem sabido que Ezequiel não gostava da imundice e isso já naquele tempo era uma grande chatice. A minha alma suspira por vós, mas vós, mais do que ninguém, sabeis Senhor que eu sou um mentiroso compulsivo. Como suspira o meu espírito Senhor! Mas desta vez não mentirei. Não estou arrependido. Mas eu sei que o veado suspira pelas águas cristalinas da montanha, onde cítaras tocam poemas louvando a tua ausência. S. Paulo nunca gostou dos romanos. É evidente a maneira como não manifestou qualquer contentamento pelos golos do Paolo Rossi. Baresi e Dino Zoff até lhe provocavam tosse. Aleluia! Aleluia! Gritava ele com o nariz enfarinhado quando o Nápoles de Maradona foi campeão. Ainda hoje, entre espirros gosta de falar disto. O senhor é o meu pastor! Mas a médica proibiu-me de comer queijo. 
Glória a deus nas alturas! No 35º andar vão servir Moet&Chandon e rissóis de camarão. Andainde pois então! Vinde até mim! Há gajas boas no camarim.






 2016,03_aNTÓNIODEmIRANDA
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sexta-feira, 3 de abril de 2026

NOSSA VIRGEM DA EXAUSTÃO

 



[ ouça a aflição da tristeza 
quando se rompeu a cortina da misericórdia para queimar a raiva que nos ampara
]

O que te custa?

Descer da cruz - encenar o calvário - doar os espinhos da coroa - farejar a sorte - bocejar na morte - nada que importe ao incessante pular na crista da maré dos açoites - vontade rarefeita no cair dos sonhos sempre desligados

O que te custa?

Caminhar nas asas do azar - enterrar histórias inventadas por vozes que caminham lado a lado na coroa vestida de trono onde nunca morou a glória

O que te custa?

Aplainar lágrimas de cortiça - curtir bebedeiras de tédio - bater ao postigo errado - cortejar elogios fúnebres - fundir abraços na forja da ansiada amizade

O que te custa?

Lembrar o possível – amolar a esperança – e soltar no vento o auspicioso convite daquele uivo oferecido pela catavento dados afectos

O que te custa?

Limpar a boca com o miolo da dor - riscar saudades na côdea do pão – e na medida do possível - eleger palavras do único e mentiroso deus vivo
 
O que te custa?

Sempre que for oportuno naufragar o apelo da solidão - e resolver esse assunto no tempo não apropriado

Ainda te custa?

Poderei a título privado recomendar um cal center disponível 24 horas por vida.

Nota Bem: se disseres que vais da minha parte, terei de assumir, sem quaisquer honorários, que a culpa de tal desvario, nunca será admitida por mim.

AMÉN!




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quarta-feira, 25 de março de 2026

O ENTUSIASMO ORNAMENTAL EVIDENCIA A PRÁTICA CONSCIENCIOSA DA REFLEXÃO EXISTENCIAL

 


No ninho onde as horas calaram a lembrança 
festeja-se o mundo das acrílicas indignações.
E nos murmúrios de poesia, 
escritos no mudo pó, 
bailam sombras em suaves tons de pesadelo.
O cão solteiro agradece tal descalabro 
e brinda atrevidamente à desejada abaladiça.
Na algibeira das sete semanas, 
arrependimentos sem efeitos retroactivos, 
invocam as almas desocupadas 
que albergam as lamúrias da contradição.
Mentes ensebadas acordam o tempo 
onde sangram todos os momentos.
O que farei então? 
Não te preocupes!
(Segredou a cadela “Nina Simone”, 
na ombreira da fábrica, para o cão solteiro).
Quero que saibas que isto nunca será o fim!
Caminhamos na aprisionada vontade do mundo
Que nos Embala Docemente com Nódoas de Escárnio
... Indo devagar não haverá tempo para o chegar.
A bandeira sem cor sorri benevolamente 
para tamanha inoperância. 


2026Mar_aNTÓNIODEmiRANDA
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SE ISTO FOSSE UM POEMA

 


Se isto fosse um poema, beijava a oração do descrédito dos poetas do fim do longe. Enlatava os erros de palmatória, queimava a tristeza absurda que assola as perspectivas e barrava todos os naufrágios deste mar que só lavra a terra do desperdício. Se isto fosse um poema, as horas que me roubam teriam outro tempo e a exactidão dos ponteiros não se aproximaria tanto da fatalidade. Se isto fosse um poema, não teria nojo de toda esta mentira, que tudo me tira nestes dias cortados em fatias envenenadas. Se isto fosse um poema, não lamberia esta gelatina de destroços que me congela os ossos em alguidares de menosprezo. Se isto fosse um poema, queimava o mundo que me vira as costas e a dignidade significada em formas de postas, que me oferece a mais pobre afinidade. Se isto fosse um poema, não seria menos que o resto, e o que de mim dizem faltar, oferecido em festins nus numa festa definhada. Se isto fosse um poema, diria que ler certa poesia, é por vezes um hobby nojento. Se isto fosse um poema, na sombra da árvore sagrada dos versos, sentir-me-ia existir agradecido às folhas que pousavam no meu firmamento, pintava assim as horas amigas, soletrando prazeres com abraços de poetas companheiros, que pisam o mesmo chão.


2017,jun_aNTÓNIODEmIRANDA
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O AMOR PROCURA AGORA OUTRO NOME

 


Farto de morrer na cansada história 
fugiu a tempo da mentira

O amparo da muleta ruiu 

Há quem diga que obedeceu  
a um prévio aviso

O que nos junta 
no simpósio  das ladainhas penhoradas
não é senão um herói 
com ideias de silicone 
reles vendedor 
de religiões Tele Opiadas
contentes por exibir a miséria da sorte 
premiada nos cartões  da ganância

Pensar em ti 
pode continuar a ser uma hipótese 
inoportuna







,2023Dez05_aNTÓNIODEmIRANDA
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SENDO ASSIM...

Louvo aqueles que pelo menos fizeram bem 
uma só coisa.

Tenho pena dos outros, 
para quem carregar no botão do autoclismo, 
possa ser um acto sublime.

Sendo assim...

Tirar macacos do nariz, 
não deixará nunca de ser uma nobre 
possibilidade.



,2017out_aNTÓNIODEmIRANDA
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terça-feira, 24 de março de 2026

SEGUNDAS NÚPCIAS


 Até que a sorte nos separe

Diziam um para o outro,

Relegando a morte

Para segundas núpcias


,2017dez_aNTÓNIODEmIRANDA
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