segunda-feira, 23 de setembro de 2019

Frank Zappa - Black Napkins Oct.28, 1976 ( VOU TELEFONAR AO FRANK ZAPPA)







VOU TELEFONAR AO FRANK ZAPPA

Tenho de ajardinar o caminho. Mudar de canteiro, quebrar o mundo em doces porções de simpatia não envergonhada. Recuso-me a celebrar qualquer dor, que aprisione as decisões que pretendo seguir. Estou farto desta serra, que só quer fazer de mim bocados sem alegria. Não sei colar ondas, nem juntar os pedaços, para uma absolvição inútil. Não sei onde fica o longe, deste lugar que me desocupa. Falo com vozes que não me entendem, gritos com sons que cortam, e abraços que me levam aos beijos das paredes forradas com comprimidos. Sou o mínimo do nada, envolto numa importância dirigida a uma mãe que nunca me pertenceu. Jogo sem graça, neste passar de trapaça para as pontes do precipício. Não passo de um sorriso articulado num shaker, convidado para o mais indecente cocktail. Alguém sem saber, beberá a minha indignação com pedras aborrecidas no meu desgosto. Possivelmente, embarcarei num qualquer dilúvio, agarrado a uma sorte ressequida, que , terá todo o prazer de adiar a minha salvação. Darei à costa numa maré não acontecida, escondido num abrigo condignamente não identificado. O que me falta? Ladrilhar vontades impregnadas de speed, uma loção inequívoca para o acordar, desenhos optimistas no olhar, uma perspectiva corajosa para abrir sonhos.A minha cabeça oferece-me ritmos de nenhuma nitidez, coisa que assiduamente me deslumbra. O plausível não me agrada, mas, em boa verdade, o certo não me satisfaz. Balanço os ombros com todo o cuidado, para não preocupar o esqueleto, e adoço o desejo com gotas do elixir mais afamado. Beijo na guitarra, felicidades mesmo desafinadas, com acordes não conflituosos. Desaperto o cinto das memórias obrigatórias.
Vou telefonar ao Frank Zappa, para agendar um abraço.

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sábado, 21 de setembro de 2019

NO ORVALHO NÃO MENTIROSO

Dizes que as noites não te acontecem.
Tens um adormecer sempre adiado,
marinado num mar de espinhos que te afogam.
Nada soubeste dos destinos do amor,
dos vestidos de cetim que nunca tocaram a tua pele.
Linda é a beleza que o sol cobiça.
Invejo o enlear do teu desejo,
que nunca chegará aos meus braços.
Tens nos olhos a oferta da música triste,
tocada pelas estrelas solitárias.
Não consigo convidar o teu sorriso para
a noite especial.
Ainda não sei se nos gostamos.
Continuo à espera do verbo que nos poderá salvar.
Mas, vem!
No orvalho não mentiroso,
tenho um caminho amado pelas flores mais lindas,
que só tu, poderás pisar.
Vem,
abraçar a pressa de quem já não tem,
todo o tempo do mundo.


2019set_aNTÓNIODEmIRANDA

Lisboa...

Cheguei há poucos dias a Lisboa.
Coisas bizarras ou não, têm-me acontecido : pedidos de fotos de turistas, oferta de sexo oral na rua , por 10 € , feita por uma rapariga romena vendedora de calendários.

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Times there are changing

Já há mais filhos da puta,

do que imbecis.

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A ÚLTIMA CORAGEM



Já perdi tudo
… disse - me
a
última
coragem


2019set_aNTÓNIODEmIRANDA

segunda-feira, 16 de setembro de 2019

sábado, 14 de setembro de 2019

NO SILÊNCIO DAS NOITES DORIDAS


Ó musa ausente 
deste coração que já nada sente,
tenho saudades do teu cantar
na espécie de encontrar,
versos fiados
neste poema que mente
aquilo que não escrevi.
Será pecado este amor
que sempre passou ao lado
do modo exagerado
como ousei gostar.
De ti já nada sei
e o que contam
já não cabe neste recordar.
E alheio não sou a esta dor
que me fere a alma
e grita-me no silêncio das noites doridas
espalhando em vão silhuetas amigas.
Mas este fogo só me esfria
os dedos que quero arder na tua pele.
E agora neste torpor magoado,
perco-me na volta dos beijos
do desejo sempre imediato.
Que alguém me salve de mim mesmo
e me conduza a outro inferno.


2017,jun_aNTÓNIODEmIRANDA

SONHAR SÓ O POSSÍVEL



Sonhar só o possível

é muita falta de jeito

para a imaginação



2019jun_aNTÓNIODEmIRANDA

PRESTAÇÕES DE VENENO

Cadeira de mentiras, 
cheia de abraços quebrados 
que não consigo reparar.
Há quem cozinhe o mar numa “bimby”, 
navegue insistentemente na infelicidade numérica, quem olhe de soslaio para a dignidade, e, lute com os braços caídos. 
Quem ordene o futuro dos valores obsoletos, como se o amanhã desenhado naquela cabeça, prometesse algo de diferente. 
Quem ofereça má fama á memória, 
e cultive notícias falsas 
com sofisticados jejuns. 
Quem purifique o hálito 
em desafinadas prestações de veneno.


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MUITAS LÁGRIMAS NA MINHA CABEÇA / DEMASIADOS MEDOS QUE ME TORNAM LOUCO

Tenho o cheiro do desodorizante da tua vida,
nesta mistura amorfa de todas as lágrimas,
e dos muitos medos que afagam a minha cabeça.
Há uma viagem sempre à espreita da melhor esquina para me alvejar.
Um silêncio de musgo ressequido, colado na rouquidão da voz, já sem pressa para fingir.
Um sonho atrapalhado, abraçado a uma tesoura que rasga bocados frenéticos de angústias desusadas.
Um sabor que me aprisiona,
uma ausência enforcada nos pulsos,
e um odor que infecta abraços.
Um vazio que incomoda o silêncio,
uma dança fugindo à toa,
do distúrbio que quero embrulhar.
Um piano que quebra as mãos,
quando toca na pele sofrida.
Nada tem de estar certo, 
neste voo tentado sempre fora do tempo 
da esperança mordida.
Há uma oferta constantemente arrependida, 
um frio para aconchegar a partida.
Onde pára aquele beijo desconhecido,
pintado nos nossos lábios?



2019jun_aNTÓNIODEmIRANDA